Previous Page  9 / 60 Next Page
Information
Show Menu
Previous Page 9 / 60 Next Page
Page Background

mica e a interpretação de cada um. O que a sociedade, a Lei, a

Loman exigem de nós é que qualquer nossa decisão tem que ser

muito bem fundamentada. E aí, por uma questão de moral pú–

blica e moral social, é fundamental que sejamos também coeren–

tes. Não dá para eu defender uma posição agora e daqui a pouco

defender outra.

Diário - Essa leva de políticos, empresários e afins que

se encontra presa, poderíamos dizer, em tese, que não é pro–

duto da eficiência do Poder Judiciário do país, mas de um

competenteMinistério Público, que faz denúncias acabadas

sem facilitar filigranas?

Desembargador Tork - Nem uma coisa nem outra. Acho

que o que há hoje no país é um nível maior de controle.As infor–

mações da imprensa, têm sido fundamentais. Hoje você temmais

acesso às informações, principalmente online. Isso permite que

denúncias aconteçam, que investigações sejam feitas, e à medida

em que o Judiciário é provocado tem respondido a essas denún–

cias.

É

claro que a partir de 1988 o Ministério Público tem papel

fundamental, é o chamado quarto poder ou quinto poder.

Diário - Essa riqueza de informações, desempenho do

Ministério Público, ação da Justiça, também é cenário ama–

paense?

DesembargadorTork- Sim. Onosso Ministério Público está

muito bem estruturado. Tem muitas informações, e com base

nessas informações, se o Judiciário é provocado, nós responde–

mos. Mas eu acho que o fundamental para isso é mesmo o acesso

às informações, o que permite que haja ummaior controle social.

Se não tivéssemos tantas informações, talvez o Ministério Público

não agisse, e talvez o Judiciário também não julgasse. Então, eu

imputo isso não à competência ou à eficiência de Aou B; eu im–

putaria a essas informações que nós temos há exatamente com

relação a julgamentos.

Diário - Como é que está a Operação Edésia em nível de

Tribunal de Justiça?

DesembargadorTork- Já julgamos em torno de dez, faltam

em torno de sete. Desses sete, tem dois ou três suspensos para

decisão de ministro do STJ, e o restante está vindo para julgamen–

tos. Os processos estão seguindo uma tramitação razoável. Não

acho que seja um tempo curto, porque nós passamos muito

tempo num entendimento, e esse entendimento levou a que o

processo ficasse parado mais de um ano, aqui. Então, depois que

a gente desmembrou, aí fluiu mais rápido. Eu, por exemplo, que

fui dos desembargadores o que mais relatou processos da Eclésia,

três ou quatro, já julguei todos. Então, acho que se houver a deci–

são agora, do STJ, concluímos os processos da Operação Eclésia

ainda neste ano.

Diário - Quantos processos da Operação Edésia foram

recebidos pela Justiça, e quantos rejeitados?

Desembargador Tork - Somente uma denúncia foi rejei–

tada, num universo de em torno de dezessete.

Diário - Osenhor já foi ouvido dizendo que o PT, seu ex

partido, é igual à sua também Igreja Católica: uno, santo e

pecador. O senhor ainda pensa assim?

Desembargador Tork - Primeiramente, esclareço que não

sou mais partidário. Amagistratura nos obriga a não sermos fi–

liados a algum partido. Mas a minha compreensão, então, há

cinco anos, era essa.

Diário - Mas vira e mexe o senhor é citado como umpos–

sível nome para um cargo eletivo, possivelmente majoritá–

rio. Se isso viesse a ocorrer, o senhor se candidataria pelo

PT?

Desembargador Tork - Isso não existe. Estou em reinício

de carreira, o que é uma coisa maravilhosa aos 52 anos de idade.

Não existe essa possibilidade de eu sair da magistratura. Tenho

muito a aprender aqui, onde gosto de trabalhar.

Diário - Qual o balanço que o senhorfaz do primeiro se–

mestre de 2018 sobre as políticas públicas implementadas

em sua gestão?

Desembargador Tork - Nosso grande avanço, a nossa con–

tribuição, minha e da equipe, principalmente, é o ajuste fiscal do

Judiciário, o qual recebemos com uma dívida com mais de tre–

zentos milhões de reais. Dívidas de gestões passadas. Tivemos

que consolidar, contabilizar e administrar essa dívida. Hoje nós

pagamos cerca de dezesseis milhões de dívidas, por ano. Então,

a grande contribuição, em termos de gestão, é o ajuste fiscal. Eu

chamo de ajuste fiscal, porque temos que gastar só aquilo que re–

cebemos. Outra contribuição, que acho relevante, como gestão, é

o diálogo, o que hoje temos, de forma tranquila, dentro da ma–

gistratura e com os servidores. Uma outra contribuição é a de–

mocratização, porque temos, dentro do diálogo, a valorização de

pessoas.

É

bom lembrar que com esse cenário de crise que temos

hoje no estadoAmapá, o servidor do Judiciário é o único que está

conseguindo manter o poder aquisitivo, em razão da valorização

diante da lei; estamos também conseguindo manter o nosso par–

que tecnológico em dia. Já investimos na nossa gestão oito mi–

lhões só no nosso parque tecnológico.

Diário - O senhor registra alguma deficiência em sua

gestão?

Revista DIÁRIO - Edição 28- 09